..."A VOZ DO ANJO SUSSUROU NO MEU OUVIDO"...
Há tanta suavidade em nada dizer e tudo entender... Fernando Pessoa
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
sexta-feira, 24 de abril de 2020
2020
o ano da Pandemia do home office
da certeza de que o ano 2019 me fez mais forte
por meio da tristeza,
da razão de precisar ser fortaleza
e da revelação do desumano das pessoas.
o ano da cirurgia adiada
das máscaras
da compra de máscaras
da queda das máscaras.
o ano do afastamento social
do acerto das pendências
da certeza dos que são importantes
e que continuarão.
da certeza de que o ano 2019 me fez mais forte
por meio da tristeza,
da razão de precisar ser fortaleza
e da revelação do desumano das pessoas.
o ano da cirurgia adiada
das máscaras
da compra de máscaras
da queda das máscaras.
o ano do afastamento social
do acerto das pendências
da certeza dos que são importantes
e que continuarão.
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
...Poesia do ano II...
Primeiro levaram os negros
Bertolt Brecht (1898-1956)
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
"TRISTE REALIDADE"
Bertolt Brecht (1898-1956)
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
"TRISTE REALIDADE"
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
...poesia do ano I...
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

