sábado, 6 de novembro de 2010

EUFEMIA

[...] os homens se reúnem à noite em torno das fogueiras no deserto, e cada um oferece uma palavra, como "irmã", "lobo"ou "tesouro enterrado". Então, todos os outros homens, um de cada vez, conta a sua história pessoal de irmãs, lobos e tesouros enterrados. E nos meses seguintes, muito depois de partirem de Eufemia, quando cruzam o deserto sozinhos em seus camêlos ou singram o longo caminho até a China, os mercadores combatem o tédio desencavando antigas lembranças. E é aí que os homens descobrem que suas lembranças foram mesmo trocadas, que, como escreve Calvino "sua irmã foi trocada pela irmã de outrem, seu lobo pelo lobo de outrem."

Livro: As cidades Invisíveis. Italo Calvino.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

COMPROMETIDA

Buda ensinou que todo sofrimento humano nasce do desejo. [...] Desejar outra pessoa talvez seja o desafio mais arriscado de todos. p 90

Quando nos apaixonamos por alguém, na verdade não estamos olhando para aquela pessoa; só ficamos cativados pelo nosso próprio reflexo, inebriados por um sonho de completude que projetamos em alguém praticamente estranho. p 94

A história nos ensina que qualquer um é capaz de tudo nos domínios do amor e do desejo. Na vida de todos nós, surgem circunstâncias que põem em cheque até a lealdade mais teimosa. p. 99

[...] todo casamento saudável se compõe de paredes e janelas. As janelas são os aspectos do relacionamento abertos ao mundo, isto é, as brechas necessárias pelas quais interagimos com a família e os amigos; as paredes são as barreiras de confiança, atrás das quais ficam guardados os segredos mais íntimos do casamento. p. 100

Muito embora estivesse sentada no chão na minha frente, muito embora eu pudesse tocá-la facilmente a qualquer momento se estendesse a mão, era como se residisse em outro lugar e nos olhasse de um trono benevolente, situado em algum ponto lá na Lua. p. 137

Livro: Comprometida: uma história de amor. Elizabeth Gilbert ( Lí em outubro 2010)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

HAIKAI II

ÉS GRACIOSA
NEM JEITO TEM, OBSERVEI
VERSO E PROSA!

by Monaliza

Filme: Graciosa (relembrei)

BRINCOS DE RUBI

O aroma era mais do que o suficiente para perceber de que me aproximava da casa da esquina. As flores de primavera eram realmente perfumadas de uma fragrância viviante.

Como na realidade verdadeiramente dinâmica, prefiro não ter a revelação da foto que guardo comigo, assim levo dentro de mim cada momento passado tranformando-o, sempre que me seja oportuno, em parte do meu presente.  

Quando temos interesse em alguma coisa, colocamos em prática uma espécie de timer interno e acordamos precisamente na hora, nos minutos e nos segundos predeterminados. É verdadeiramente incrível o quão preciso é o despertador dos nosso interesses pessoais.

Eis a maior contradição do destino. Um homem tem em seus pensamentos a possibilidade do todo e de tudo, pensamentos que parecem transcender sempre os limites do corpo. O corpo tem sues dias contados e, por mais que lute, acaba sempre morto em algum lugar distante dos pensamentos.

O imaginário é sempre superior a toda e qualquer realidade. Quando imaginamos algo, colocamos exatamente o qque nos é mais apropriado para cada caso. Construímos minuciosamente cada detalhe do que desejamos imaginar e, assim, obtemos o que realmente nos é insubstituível. Ao contrário do imaginário, as pinceladas vinham caindo no mundo do realizável com todos os defeitos que só o universo estático do realizado consegue agregar.

O crepúsculo sempre traz uma sensação de cansaço, dizem que todos temos uma pequena febre neste horário de metamorfose da atmosfera, onde nossos corpos morrem um pouco com o grande sol que se vai.

O tempo dilata-se sempre que vivemos uma nova experiência.

Da casa da esquina eu ainda sinto o perfume das flores.

Livro: A Casa da Esquina. Duca Leindecker.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

FELIK

[...] Deus, por vezes, nos põe à prova, fazendo-nos sofrer e tornando-nos até um pouco desprevenidos, mas tudo isso costuma fazer parte dos Seus desígnos.
Fala do padre, p 165.

[...] não eram as guerras nem as batalhas vencidas que somavam poder às senhorias, mas a destreza com que os pequenos castelões ou os grandes viscondes teciam as complicadas relações de poder e de sujeição de uns em detrimento dos outros.
Pensamento de Mathew, p. 202.

[...]Nada do que acontece se deve ao acaso: a vontade divina é frequentemente inexplicável, mas, acredite, tem sempre um objetivo. É nosso dever aceitá-la, sempre e em qualquer circunstância: isso não significa que tenhamos de sofrer passivamente os nossos medos, mas sim combatê-los e fazer com que o peso de nosso destino seja menos árduo...
Fala de Mathew, p.323.
Livro: O Mercador de Lã. Valéria Montaldi

terça-feira, 2 de novembro de 2010

SE !

SE VOCÊ NÃO PARA PARA ADMIRAR
UMA PINTURA EM TELA;
PINTE UMA.
SE VOCÊ NÃO PARA PARA OLHAR
UM JARDIM DE FLORES;
ARRUME UM JARDIM.
SE VOCÊ NÃO VALORIZA
UM ALMOÇO, SEJA O QUE FOR;
FIQUE UMA SEMANA COZINHANDO.
SE VOCÊ NÃO SABOREIA UMA TORTA
DEGUSTANDO COM VONTADE;
FAÇA UMA TORTA DE CAPUCCINO.
SE NÃO DER CERTO E VOCÊ TIVER
QUE COLOCÁ-LA NO LIXO PARA
NÃO FAZER MAL A NINGUÉM;
SEJA PERSISTENTE E FAÇA-A
NOVAMENTE NO OUTRO DIA.
NÃO VOU CONTAR, DESCUBRA
SOZINHA(O) O QUE QUERO DIZER.

by Monaliza